Futuro dos Anúncios em Jogos de Vídeo

Pagar R$ 350,00 por um produto que exibe anúncios pode parecer algo contra o consumidor. No entanto, milhões compram videogames com inserções publicitárias, que, diferente de filmes, se integram melhor ao contexto do jogo.
No 007 First Light, carros Aston Martin são pilotados; no Forza Horizon 6, veículos da Ford e Ferrari correm pelo Japão; cartazes estão por toda parte no Grand Theft Auto V e estádios cheios de patrocinadores aparecem em EA Sports FC. Isso não soa como publicidade intrusiva. Remover essas marcas, em muitos casos, comprometeria a identidade única desses jogos.
Essa é a vantagem peculiar dos games sobre os filmes. Enquanto o product placement nos filmes soa forçado, nos jogos, ele faz parte da construção do universo.
Videogames Incorporam Marcas aos Seus Mundos
A diferença fundamental entre jogos e filmes é clara: na maioria das vezes, videogames exigem mundos críveis. Uma cidade sem propaganda parece artificial. Um estádio de futebol sem marcas patrocinadoras parece incompleto. Um festival de corridas sem grandes fabricantes é ilógico.
A vida real está repleta de marcas, logotipos e anúncios, e jogos frequentemente replicam esse cenário com precisão. É por isso que algumas das inserções publicitárias mais bem-sucedidas em videogames mal são percebidas como anúncios. Elas são detalhes que contribuem para a ilusão.
Lançado recentemente, 007 First Light exemplifica isso perfeitamente. O jogo inclui marcas como Aston Martin, Omega, Coca-Cola e Land Rover, parte da identidade de James Bond por gerações, o que torna os anúncios nesse contexto não intrusivos.


Ninguém vê Bond dirigindo um Aston Martin Valhalla e pensa nos acordos corporativos; pensa em James Bond. Esse tipo de inserção é eficaz porque prioriza a narrativa do personagem, não a publicidade. E a recepção dos jogadores a boas inserções publicitárias costuma ser positiva.
Anúncios Bem Feitos Fortalecem a Fantasia do Jogo
Quando o product placement funciona nos games, ele reforça a fantasia. A série Forza Horizon perderia parte de sua atratividade sem marcas reais. O coração do jogo está em coletar carros dos sonhos e dirigi-los em um belo mundo aberto. Logotipos como Ferrari, Lamborghini, Ford e Porsche não distraem; eles são um dos motivos pelos quais os jogadores se envolvem.
O mesmo vale para jogos de esportes. EA Sports FC e NBA 2K estão repletos de anúncios nas arenas e parcerias de marca. Retirá-los tornaria a apresentação menos verídica.


Além dos exemplos mais comuns, existem situações inusitadas. A parceria de Death Stranding com Monster Energy gerou muito debate, mas também se tornou uma das inserções mais memoráveis dos games modernos, com jogadores interagindo diretamente com o produto, em vez de apenas vê-lo em segundo plano de uma cena.
Os melhores anúncios em games não buscam atenção. Eles tentam convencer os jogadores da realidade do jogo. E não se trata apenas de tornar tudo crível.
Rockstar: Marcas Fictícias São Mais Persuasivas
Talvez o melhor exemplo venha de um estúdio que evita o uso de empresas reais. Grand Theft Auto é uma das franquias mais recheadas de anúncios em jogos. Suas cidades estão cheias de letreiros, comerciais de rádio e lojas fictícias. Contudo, jogadores raramente percebem GTA como um jogo cheio de publicidade.
Isso acontece porque a Rockstar criou seu próprio ecossistema. Marcas como Sprunk, eCola, Cluckin’ Bell e Ammu-Nation parecem negócios autênticos dentro do jogo. Eles fazem Los Santos parecer vibrante e vivo. Mais importante ainda, mostram que sucesso nos anúncios de games não é realmente sobre publicidade.

A Rockstar demonstra que uma marca crível, mesmo que fictícia, é frequentemente mais valiosa do que um logotipo real mal alocado. E, claro, os verdadeiros equivalentes das marcas parodiadas provavelmente não se importam, desde que o público esteja falando sobre eles.
Filmes Exibem Anúncios; Jogos Mantêm a Imersão
Enquanto isso, filmes e séries costumam tropeçar. As inserções nos filmes são feitas para garantir que o espectador perceba o produto. A câmera, o logotipo e o diálogo muitas vezes se tornam específicos de forma suspeita. Ao invés de apoiar a história, o produto vira a história.
Jogos adotam o caminho oposto. Os anúncios mais fortes em jogos desaparecem no ambiente, ajudando os jogadores a acreditar nas cidades, estádios, pistas ou fantasias de espião que exploram. E são tão bem integrados que o produto se torna parte central de suas narrativas. Algo como usar um relógio Omega como gadget principal no jogo do 007, ou ter um BMW M3 GTR E46 azul e branco como protagonista em NFS Most Wanted.
Isso demonstra que anúncios em jogos não são apenas sobre inserir um produto, como nos filmes, mas sim integrá-lo no mundo do jogo. Quais são suas opiniões sobre anúncios em videogames? Deixe-nos saber nos comentários.
Fonte: beebom.com
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